Desbravando o Pathfinder. Na prática!

Pathfinder é um bom jogo? Bem, estive jogando (e não mestrando) ele a pouco mais de dois meses e nesse tempo pude formar minha opinião a respeito (pelo menos até o 5º nível de personagem) e quer saber de uma coisa? Quer mesmo? Então continue lendo… (sim, eu aprendi com João Kleber)

Para quem não faz idéia do que estou falando, Pathfinder é um jogo relativamente novo da Paizo. Ele ficou relativamente famoso pois se apresentou como alternativa para aqueles jogadores de D&D que estavam ansiosos pela chegada 4ª edição, mas se frustraram ao ver as novas regras. Diziam isso pois o sistema estava sendo desenvolvido para ser parecido com o da 3ª edição do D&D, só que revisado e melhorado. Parte de sua campanha de maketing foi de se comparar ao gigante da Wizards, dizendo que supriria àqueles que se sentiram órfãos da nova edição. E devo dizer que foi por isso que me interessei.

Bom, tendo adquirido o “pequeno” livro vi que nele se encontrava algo que seria comparado ao livro do jogador e do mestre juntos, o que soma quase 600 páginas. Como já havia lido algumas resenhas sobre ele, não devo dizer que me surpreendi. A primeira vista percebi que ele era praticamente idêntico ao D&D 3.5, e me perguntei se valia a pena compra-lo. Afinal, é a mesma fantasia medieval feijão com arroz-de-sempre, não? Mesmo assim, juntei-me com mais um punhado de criaturas noturnas, caóticas e viciadas em Coca-Cola® e lá fomos nós criar os personagens.

Logo de cara deu pra perceber que nivelaram bem as classes (menos o clérigo, que sempre foi o mais favorecido). O bárbaro deixou de ser a classe combativa mais poderosa, e foi ótimo ver isso, pois me senti livre para criar um pirata (guerreiro) sem medo de ser feliz. Vi também que o mago não tem mais a necessidade de bombar na destreza pra ter uma miséria de CA, já que temos um talento que lhe permite diminuir 10% da “falha arcana” quando usa armadura. Aliás o mago foi muito bem favorecido, recebendo até um item especial padrão que lhe permite lançar uma magia sem precisar ser decorada. Chega daquele papo de “o mago é lixo no começo e bom nos níveis altos”. Além disso os talentos foram copilados e selecionados dos diversos livros e, de modo geral, também estão mais equilibrados (e não temos o famoso Retaliação).

Acontece que (talvez por conta de uma evolução natural do RPG medieval) todas classes são bem poderosas. Ou seja, a Paizo nivelou para cima, bombando todas elas. Se isso é uma beleza para os jogadores, acaba sendo uma dificuldade para o mestre que precisa ser mais “apelão” nos desafios. Os jogos ficam épicos em pouco tempo, o que costuma agradar mais aos novatos do que aos veteranos. Claro que pensando nisso eles colocaram uma tabela de “progressão lenta” que corta o xp pela metade, mas que só te mantém estagnado por mais tempo (tem também opção para progressão mais rápida ainda).

Na contra-mão disso estão as classes de prestígio, que continuam sendo piores que as classes básicas (talvez com exceção do Mystic Theurge) pelo fato de que, você precisa estar no mínimo no 6º nível de personagem para adquirir um nível de prestígio, mas acaba recebendo poderes fracos, dignos de personagens de 2º e 3º nível. E pra piorar, muitas vezes você tem que ser multiclasse para conseguir a classe de prestígio, o que te torna ainda mais fraco.

Além disso a parte do Rollerplay ainda não é bem explorada pelo sistema, e é delegada apenas á velha tríplice raça/classe/tendência. Não existe incentivo a ter “defeitos”, que na minha opinião sempre foram partes fundamentais da personalidade. Tudo acaba ficando nas costas do jogador e mestre desenvolver, sem auxílio do sistema. Pessoalmente, eu costumo jogar um atributo 8 e forçar a barra, mas não acho que deveria ser assim.

Um ponto positivo, é que existe no livro muita informação útil para o mestre, desde o Be a Bá da criação de aventuras, até dicas de estilos de campanhas (urbanas, dungeons e etc.). Pra quem quer aprender e re-lembrar truques de narrativa é um prato cheio!

Apesar de ser bastante parecido com o 3.5, muitas regras se diferem em muitos detalhes, e isso acaba gerando bastante atrito se (como meu grupo) você tentar usar os dois em conjunto. Por exemplo, como não temos o livro de monstros da Paizo precisamos usar o do 3.5, e portanto os monstros são mais facilmente derrotáveis.

No fim das contas acredito que tem valido a pena, sim, ter optado pelo Pathfinder ao invés da 4ª edição (e também 3.5). Ele é bastante equilibrado no geral (“para cima” como já mencionei) e por esse motivo não dá arrependimento de ter escolhido a classe X que, depois de várias sessões, descobre-se ser uma porcaria.

Sendo assim, o Pathfinder ganha o meu JOINHA!

Um abraço!

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9 Responses to “Desbravando o Pathfinder. Na prática!”


  1. 1 Edson Brandi 08/12/2009 às 9:12 pm

    Acho que a principal vantagem do sistema da PAIZO é que para quem não se importa de ler na tela do computador eles oferecem versões em PDF de todos os seus livros, o set basico (Core rules e bestiary) em PDF sai por menos de US$ 20,00 no total.

    Eu comprei os PDFs e depois de ler cheguei a conclusão que o material era bom a ponto de valer a pena comprar a versão impressa, e me dei os livros de presente de natal ;)

    Hoje estou começando a jogar este sistema com um grupo de amigos do trabalho, vamos ver como me saio afinal fazem uns 8 anos que não jogo RPG :)

    Continue com os posts, achei bastante interessante o que escreveu sobre o pathfinder.

    []´s Edson

  2. 2 valberto 09/12/2009 às 2:16 am

    pathfinder é muito bacana. Uma bola dentro.

  3. 3 Duda Vila Nova 09/12/2009 às 9:11 am

    bom… eu gostei MUITO mais do Pathfinder… :P mas a análise tá bem legal (como eu sou fã do sistema, provavelmente eu não seria tão pé no chão). Bem… mas tem uma coisa que sempre me intriga nesses textos de análise de sistema: porque todo mundo espera que O SISTEMA privilegie a interpretação? ao meu ver, a interpretação SEMPRE independerá de qualquer sistema.

    um sistema de “defeitos” só seria interessante se os jogadores não o vissem como uma “fonte de pontos extras”.

    :P

    mas eu gosto mesmo do pathfinder porque, além de melhor que o 3.5, eles deixaram a licença de publicação ainda mais joinha do que o sistema… XD

    • 4 ivanprado 09/12/2009 às 11:59 am

      Valew pelo elogio!
      Quanto ao comentário sobre interpretação ser ou não responsabilidade do sistema, eu ia responder aqui mesmo, mas a resposta estava ficando muito grande, então acho que vou fazer um post-debate sobre isso. Assim poderemos conhecer outras opiniões além da nossa. Um abraço!

  4. 5 Rovalde 09/12/2009 às 1:31 pm

    Cara, tô com o livro básico e com o dos monstros em casa. Ambos muito lindos! A Paizzo mandou muito bem no acabamento!

    Infelizmente jogar com ele é uma premissa ainda pro segundo semestre de 2010, visto que estou no meio da minha campanha da 4e… quem sabe uma aventurinha curta??? Depois posso avaliar melhor…

    De mais é legal ler a sua resenha por que já dá pra saber o que esperar! Valeu!

    Abraço!

  5. 6 chuc 13/12/2009 às 10:48 am

    Mais um adendo…
    eu sinceramente não reparei muito bem, mas até onde eu vi o tempo das magias no Pathfinder é MUITO menor do que no antigo D&D (não sei no 4e). Ao meu ver isso dá uma bela brecha pros jogadores armarem mais estrategicamente suas batalhas – apesar de muitas poderem ser batalhas ‘surpresas’.
    Chega desse negócio de buffs + vamo-vê-o-qué-que-dá + mata-o-bicho!!1!
    Pelo fato do sistema estar bem mais equilibrado em relação à raças e classes, permite-se que seja explorado o melhor lado de cada personagem, porém exige-se mais cautela nas ações também.
    Eu gostei; muito mais histórias e jogadas inteligentes do que filme épico da sessão da tarde.

    • 7 ivanprado 15/12/2009 às 11:28 am

      na verdade dai você só vai usar mesmo o buff na hora do combate, e não quando entrar na Dungeon… então é pior pro buffer, por que ele vai passar os primeiros turnos só castando magias de buff, e os outros turnos curando. E dai acaba não participando ativamente no damage. Mas no fim das contas essa é a função dele não? Quem deve tirar dano são os combatentes!

  6. 8 Iman 23/03/2010 às 3:16 am

    Olá a todos.

    Gostei da resenha, apesar de discordar de algumas coisas.

    Gostaria de informar a todos que gostaram e aos que querem conhecer o Pathfinder RPG, que existe a comunidade Pathfinder RPG Brasil no orkut, e nela tiramos dúvidas sobre o sistema, realizamos traduções do PDR (que é o banco de dados gratuito do sistema) e debatemos alguns temas que os membros acham pertinente.

    Uma boa semana e bons jogos a todos.

  7. 9 beleza e saude 01/04/2014 às 11:14 pm

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